Medo de falar em público

Medo de falar em público

Glossofobia, laliofobia ou lalofobia. Entre 3 mil entrevistados, o “receio de falar em público” é o maior medo de 41% dos entrevistados, ficando à frente do temor de conviver com problemas financeiros (22%) e medo de doenças e da morte (19%), segundo o The Sunday Times (2015). Em que situações nos expomos a outra pessoa? Numa dinâmica de grupo e entrevistas para um novo emprego; numa reunião, ao conduzi-la ou defender uma proposta; em seminário da faculdade; na venda de produto ou serviço, etc.

Tentando explicar seus motivos para o medo, muitos caem no que a Psicologia chama de auto-boicote ou a famosa ‘Síndrome do …e se?’: e se eu falhar?; e se a fala não sair?; e se as pessoas não considerarem interessante o que tenho a dizer?; e se rirem de mim?; e se eu não conseguir convencer?; e se o que eu disser não acrescentar nada?, entre várias outras elucubrações. Outros dizem ser tímidos ou não ter coragem de colocar suas ideias sob possível questionamento alheio.

Ao pontuar as quatro dimensões básicas da personalidade, o psicólogo Jung não considerava o introvertido um ser menos apto (como alguns tímidos se consideram), mas sujeitos aptos a lidar de maneira diversa com as situações e, em muitas, a obter melhor performance. O tímido dá mais atenção ao mundo interior e, para ele, intuição e sentimento são mais importantes. Ele é introspectivo; percebe, pensa, analisa detalhes e todo um conjunto de fatores antes de tomar sua decisão. O extrovertido tende a valorizar mais o mundo exterior, ou seja, a visão que outros têm dele próprio e preferem a ação, decisões rápidas em vez de detalhes excessivos.

Quanto à coragem, podemos entendê-la como o medo administrado e não a ausência de medo. Note que as pessoas que nos rodeiam no dia-a-dia também têm inseguranças, receios e medo de não conseguir alcançar seus objetivos e, nesse caminho, temem o ‘olhar reprovador’ da sociedade. Coragem está relacionada a encarar os medos, enfrentá-los, racionalizá-los e, aos poucos, desmistificá-los, provando a nós mesmos que eles não são o monstro que dorme embaixo de nossa cama.

Após deixar de ver a si mesmo como péssimo orador, a próxima desmistificação é a da plateia. O público ouvinte não irá ao seu evento desejando presenciar seu fracasso. Eles estão investindo tempo, atenção e por vezes dinheiro em sua apresentação, o que significa que a visualizam não como gasto, mas investimento. Eles acreditam que você, sim VOCÊ, tem uma voz, tem algo importante a dizer, que contribuirá com informações e conhecimentos atuais, relevantes e inovadores.

Isso não significa que você não encontrará ouvintes hostis. Para lidar com eles, o primeiro passo é a preparação. Planejar, organizar, estudar e exercitar o assunto a ser tratado em público aumenta a confiança na importância do conteúdo e em nossa capacidade de explaná-lo. Administre o tempo de apresentação e, para isso, treine. Treine no espelho, apresente à sua família e amigos mais próximos, a fim de verificar como estão: volume e velocidade de voz; gestos e linguagem corporal; adequação do vestuário e interação com ouvintes. Prepare materiais variados, como slides, vídeos, dinâmicas e perguntas para a plateia. É importante que você os intercale no uso, pois a atenção da plateia não se fixa, por muito tempo, num mesmo recurso, sendo necessário estimular visão, audição e por vezes tato de diversas e interessantes maneiras.

Se a hostilidade persistir, tente descobrir o que incomoda seu ouvinte; se é o local (quente ou frio demais, abafado, barulhento); se é o tema (ele está no evento para acompanhar um amigo ou porque foi ordenado pelo chefe) ou se é a sua pessoa. Se a questão for com você, mostre, além do preparo técnico, preparo comportamental, isto é, adapte seu comportamento, tentando encontrar pontos de convergência entre vocês; faça perguntas, ouça o que a plateia tem a dizer, concorde em alguns pontos (mesmo que não em todos); mostre-se flexível e aberto a opiniões diversas.

Você é o que você fala. Cabe a você mostrar todo o seu potencial. Certamente a maioria decidiu estar em sua presença para aplaudi-lo, e não recriminá-lo.

 

* Melissa Lucchi é Coordenadora Geral de Pós-Graduação da Faculdade BILAC, Doutora e Mestre em Administração, Especialista em Gestão Estratégica em Assessoria de Comunicação e Bacharel em Comunicação Social/Jornalismo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>